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HORA VIP - A revista que surpreende

O SONHO DE PATRÍCIA MEIRA

Tudo começou quando tinha 4/5 anos, ainda era muito criança, mas já exibia extrema admiração e entusiasmo pelo mundo da representação. Pedia aos meus familiares para se sentarem junto à lareira de modo a poderem assistir e usufruir dos inúmeros espetáculos, fruto da minha própria imaginação ou então da recriação das histórias de princesas que via com muita adoração.


Esta é uma recordação que tenho muito presente da minha infância, talvez pelo significado que esta tem para mim, talvez por se constituir enquanto a descoberta de algo que me faz verdadeiramente feliz. É uma das mais autênticas certezas que possuo, a de que voltar a essa altura é recordar sorrisos e gargalhadas daqueles que me têm acompanhado até hoje.
Na escola, os professores apelavam ao meu sonho, atribuindo-lhe consistência ao dizerem-me que eu seria uma possível artista, incentivando-me inclusive a participar em todos os teatros. A primeira vez, o primeiro momento em que tive a oportunidade de subir e pisar um palco “a sério” tinha nove anos, fiz uma peça de improviso e a professora teve muita dificuldade em tirar-me de lá.

Em casa, os espelhos eram os meus melhores amigos, era com eles que falava e interpretava várias personagens, utilizava-os para ver as minhas expressões. Nas apresentações de trabalhos, colocava sempre representação à mistura pois, dessa forma, achava que o trabalho poderia ser muito mais cativante e divertido. Uma vez o meu professor de português pediu-me para escrever um texto sobre sonhos, lembro-me de escrever que o “meu sonho era subir a um palco e brilhar”. E é isso que tenho tentado fazer, em todas as atuações que tenho feito até aqui.
Quando entrei no Ensino Básico abriu um Clube de Teatro e eu pedi muito à minha mãe para entrar, queria passar por essa experiência. Ainda hoje lembro-me do 1º casting que fiz e o nervosismo que senti, mas também a felicidade por saber que tinha passado e que iria fazer parte do Clube.
Estava um passo mais adiante do meu sonho. Estive nesse clube durante 5 anos, foram anos de aprendizagem onde realizámos peças de teatro, não só em Portalegre, como também noutras cidades, inclusive chegámos a ter a honra de exibir uma dessas mesmas peças na Assembleia da República.
Nesses anos comecei realmente a perceber que o Teatro não era só um hobbie, não era só uma mera distração ou passatempo. Na verdade, o teatro era e é muito mais do que aquilo que eu poderia sequer imaginar, era uma paixão que me colocava um brilho no olhar e um sorriso no rosto.

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Apercebi-me de que este grande “bichinho” que tenho pelo teatro, já vinha desde a altura que pedia à minha mãe, ao meu pai, ao meu irmão para se sentarem junto à lareira a ouvir as minhas histórias.
Quando o Clube decidiu fazer uma pausa fiquei triste, mas foi aí que decidi avançar por mim, lutar pelo meu sonho, pela minha paixão. Decidi criar asas, arriscar e voar.
Nunca antes tinha realizado um monólogo e uma vez que o clube estava parado era a altura certa para seguir em frente e foi isso que eu fiz. Se tive medo? Imenso. Não tinha ninguém a organizar-me, a dizer o que devia ou não fazer, não sabia exatamente com quem tinha de falar. No entanto consegui, porque acredito que quando a nossa vontade de voar é maior, os medos não passam de coisas mínimas nas nossas vidas.
O objetivo é esse mesmo, não deixar que os medos se tornem maiores que a nossa vontade de voar. A minha vontade de voar, a minha fé, a minha força sempre foi superior a qualquer e outro obstáculo que se pudesse intrometer no meu caminho. Às vezes só temos de acreditar e confiar, eu acreditei e consegui. No dia 13 de abril de 2016 subi ao palco, do Centro de Artes e Espetáculos de Portalegre, para realizar um sonho, estreei-me com o meu primeiro monólogo.

Houve alguém que me disse para perseguir os meus sonhos, e se possível ultrapassá-los, realizando-os, dando-lhes forma corpo e alma. Disse-me para ir e eu fui.
E desde aí nunca mais parei. O Teatro tem um significado muito importante para mim é uma forma de expressar-me e libertar-me, de mostrar aquilo que mais amo fazer e que mais me faz sentir realizada. Por isso em junho, vou estar novamente na minha cidade, pronta a partilhar com as pessoas mais uma peça, desta vez não será mais um monólogo, estarei acompanhada e será também uma estreia na comédia.
Sonhar é muito bom, mas conseguir tornar os sonhos realidade ainda é muito melhor! E é para isso que trabalho todos os dias!