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HORA VIP - A revista que surpreende

REPORTAGEM: JÁ FOMOS PESOS PESADOS

Fomos conhecer a Associação Portuguesa de Obesos e Bariatricos. Esta associação tem como objetivo auxiliar e esclarecer dúvidas a todas as pessoas que necessitem de recorrer à Cirurgia Bariátrica, cirurgia de redução de estômago, dando apoio aos doentes candidatos à cirurgia, aos bariátricos e equipas médicas.

Trata-se de uma Associação Sem Fins Lucrativos que pretende complementar as equipas multidisciplinares de Hospitais Públicos e Privados, em Portugal, divulgando a cirurgia bariátrica junto da comunidade de obesos e/ou portadores de doenças associadas à obesidade.

Foi através desta associação que ficámos a conhecer a história da Monica Silva e do Fernando Pinto. Ambos já foram pesos pesados, cada um já visualizou os três dígitos na balança.

Fique a conhecer estas duas histórias de transformações incríveis.

 

Testemunho de Mónica Silva

“A luta contra o excesso de peso foi sempre uma constante na minha vida. Sempre tive um peso acima da média para a minha idade e para a minha estatura. Mas como tenho 1,78m, o meu excesso de peso, esteve disfarçado com a minha altura.
Com 18 anos foi-me diagnosticada hipertensão e passei a tomar diariamente medicação para controlar a tensão arterial. Nessa altura fui encaminhada para o Hospital Pedro Hispano para consulta de consulta de cardiologia.
Com o passar dos anos, o excesso de peso agravou-se e começou a aparecer o termo obesidade na minha vida. Não me sentia bem com o meu corpo, nada do que vestia me assentava bem, passei a comprar roupa não pelos modelos que gostava, mas pelos modelos que me serviam.
Iniciei vários tratamentos de emagrecimento que aparentemente me traziam resultados a curto prazo, mas que a médio, longo prazo, não resultavam e tornavam-se desmotivadores.
Em 2009 engravidei e com a gravidez senti pela primeira vez na pele as consequências da obesidade na minha vida. Tive uma gravidez de risco que culminou em pré-eclâmpsia. No dia do parto, as minhas tensões estavam, com medicação, a 220/120. O meu filho teve que nascer através de uma cesariana de emergência com 29 semanas de gestação, com 1390g e com 40 cm.
Em 2012, a minha mãe colocou a banda gástrica e foi nessa altura que comecei a ouvir falar em cirurgias bariátricas. Comecei a pesquisar sobre o assunto e a colocar a possibilidade de eu própria ser uma candidata a este tipo de cirurgia.
Até que numa consulta de nutrição no hospital S. João perguntei à minha médica se eu não poderia ser submetida a uma cirurgia de redução de estômago, uma vez que, já estaria há vários anos a cumprir um plano de reeducação alimentar e que não conseguia obter os resultados pretendidos. Ela disse-me que essa análise teria que ser feita por um médico da especialidade, mas que iria solicitar o pedido para cirurgia. E assim o fez. Mas o meu primeiro pedido veio recusado. Continuei a ser acompanhada em consultas de nutrição, mas os meus problemas de saúde, com o passar dos anos e com o aumento de peso, foram-se agravando. À hipertensão juntou-se colesterol elevado, triglicerídeos elevados, pré-diabetes e um IMC superior a 35.
Em 2014 numa consulta com a minha médica de família abordei novamente a possibilidade de ser submetida a uma cirurgia de redução de estômago. Nessa altura ela enviou o P1 para o Hospital S. João no Porto. O tempo ia passando e a ansiedade ia aumentando até que recebi a marcação da primeira consulta para o final do ano de 2015. Na primeira consulta tive parecer positivo para a cirurgia e iniciei um longo processo de consultas e exames. Estava inicialmente proposta pela equipa médica para sleeve mas com a realização da endoscopia, foi-me diagnosticada uma esofagite grau B e a equipa médica decidiu alterar o procedimento cirúrgico para bypass.
A 29 de dezembo de 2016 foi-me realizado bypass gástrico, com 114 kg e um IMC de 35 e com várias doenças associadas ao excesso de peso.
Depois da cirurgia foram tantas as mudanças que vi refletirem-se na minha vida. Passei de um 52/50 de calças para um 42/40, passei de um 42 de calçado para um 40, passei de um XXXL/XXL de camisolas para um L/M. Com um ano de cirurgia perdi cerca de 38kg. Atualmente já não tenho hipertensão, não tomo diariamente qualquer tipo de medicação à exceção das vitaminas. Sinto-me bem com o meu corpo e com a minha imagem.
A cirurgia bariátrica devolveu-me a saúde que a obesidade me havia tirado”.

 

Testemunho de Fernando Pinto

“Durante a infância, adolescência e princípio de vida adulta sempre fui um mocinho de bons costumes e bons hábitos alimentares. Cada vez acredito mais que somos aquilo que comemos!
A infância e adolescência passada num bairro típico de Lisboa, fez de mim uma pessoa feliz com a vida e comigo mesmo.
Na entrada dos ‘entas, vão começando a aparecer problemas de tensão e alguma predisposição para cansaço e pouca vontade de exercitar o corpo. Andar era coisa que não fazia. Se calhar os bons hábitos alimentares não teriam sido assim tão bons!
Aos 50 anos, fui alertado na altura da revalidação da carta, para Tensão Alta e que deveria ser avaliado pelo médico de família. Poderei dizer que terá sido por esse alerta, que começou o meu processo de TCO!
Tendo sido fumador desde os 18 anos com, ultimamente, 40 a 50 cigarros diários, decidi aos 52 anos deixar de fumar. Posso dizer que o fiz quase radicalmente, apesar de ter tido uma ajuda com cigarro eletrónico e pontualmente duas ou três sessões de acupuntura.
Com o passar do tempo a adição tabágica foi sendo, despercebidamente, transferida para outro tipo de adição de grandes comezainas e petisqueiras. Adorava frequentar restaurantes de buffet livre. E assim foram aparecendo os quilos a mais, a tensão elevada e a apneia do sono grave.
O peso a mais era visível, mas eu não o via, a tensão elevada dizia que era do stress e as pessoas há minha volta iam-me dizendo que adormecia. Ou seja todos os sinais de obesidade estavam à vista de todos, menos de mim.
Em 2013, já com cerca de 140 kg, fui encaminhado para a consulta de endocrinologia do Hospital Egas Moniz.
Durante o processo, fui encaminhado para consulta de pneumologia e após exames foi-me diagnosticado Apneia do Sono severa.
Assim foi decorrendo o processo com as consultas inerentes ao protocolo de TCO, endocrinologia, psicologia, nutrição, cirurgia e pneumologia, até que em abril de 2015 e após reunião da equipa multidisciplinar fui aprovado para Bypass Gástrico Alto, com diagnóstico de Obesidade grau II, múltiplas co morbilidades.
Em Agosto de 2015 sou chamado a internamento para realização de Bypass Gástrico em Y de Roux + Colecistectomia, com 122 kg.
A cirurgia correu bem, foi-me dada alta ao fim de 5/6 dias tendo iniciado o percurso seguinte da TCO.
Volvidos 30 meses da data da operação, peso 90 kg, tensão arterial controlada, apneia do sono controlada (aguardo consulta para retirada de CPAP), faço caminhadas e trail com gosto e prazer. Encaro esta cirurgia como uma segunda oportunidade, como um renascer”.